O dia da pior crise

O dia da pior crise, tive síndrome do pânico

Foto: Marcelo Souza

Durante a semana, anterior à essa crise, eu já estava tendo dificuldade para sair de casa. Quando eu sabia que tinha que me deslocar pra outro lugar que não fosse os cômodos da minha casa, já era o início de uma turbulenta luta entre minha mente e eu. Ela vencia, sempre. Tava vencendo! Eu só queria fingir pra todo mundo que estava tudo bem mas não estava. Afinal, eu nem sabia explicar o que eu estava sentindo, eu só sabia que as coisas tendiam a piorar, e pioraram, muito. Eu não sabia a proporção do mal da síndrome do pânico e vivi o dia da pior crise.

Dia 13 de abril de 2015 soube exatamente o que era ter uma crise das mais intensas. Naquele dia acordei bem, me arrumei e saí com o namorado para visitar um apartamento que eu queria alugar. Fomos para o metrô para me testar, para saber se me sentiria mais segura se estivesse com alguém e eu, claro, fui reprovada nesse teste. Passaram-se três estações e pedi pra descer, os enjôos estavam ficando fortes, a tontura começou. Pronto, eu estava no meio de uma crise! Descemos e me sentei, o corpo foi desfalecendo, a tontura aumentando, os batimentos do coração acelerando, as mãos formigando e eu pensei “acho que agora vou morrer” porque era exatamente essa a sensação que eu tinha, a de morte.

Na ocasião, eu não pensava em mais nada, só queria me deitar e parar de ver aquelas pessoas passando na minha frente. Notando isso, o namorado me levou pra fora da estação. Sentei, tomei água e foi melhorando. Eu achei que estava. Fiquei uns 20 minutos conversando com ele e tentando me acalmar, tomando água com gás porque parecia que ela me aliviava. Levantamos e tudo começou de novo, só que de uma forma pior. Sentei dessa vez numa calçada qualquer e ali fiquei, não lembro a sequência dos acontecimentos mas lembro dele gritando e tentando me reanimar mas ali eu não estava totalmente, só o corpo imóvel e trêmulo. Durou uns 40 minutos toda aquela situação. O corpo desfaleceu e eu não tinha força alguma pra levantar dali, ele praticamente me segurou e foi andando pelo rua em busca de um táxi para me levar pra casa. Conseguimos um e finalmente cheguei em casa. Se não fosse ele, nem quero pensar o que teria acontecido. Ali foi uma amostra do meu inferno pessoal. Foi a pior crise que já tive!

Reconheça os seus sintomas e busque ajuda. Busque ajuda porque tem solução!


Publicado em: 11 de junho de 2015

14 Comentários


  1. Fernanda disse:

    Oi tudo bem, tenho crises de pânico a 18 anos, já teve épocas que fiquei sem medicação, outras que usava. Agora inicie o tratamento com o pristiq, mas o qual está me matando, acordo todas as madrugadas mal, mãos frias, pes, calafrios, coração acelerado. Hoje vou para o meu 7 comprimido. Estou pensando em desistir, nunca fiquei tão mal assim.
    Beijos

    • Thayse Lopes disse:

      Oi, Fernanda. Olha só, não pare a medicação. Seu corpo está passando por um período de adaptação e até que ele reconheça que tem algo modificando-o, os efeitos são esses mas depois melhoram. Sei que é difícil, pois eu também passei 20 dias sofrendo me adaptando a um remédio. Mas, passou. Depois foi como nunca tivesse tomado esse remédio, não senti mais nada. Para que o tratamento funcione, é necessário que você insista. Fale com seu médico, ele pode tranquilizá-la. Se precisar, estou por aqui. Mas saiba: vai passar. Um bjo

  2. Hellenfw disse:

    Olá Thayse, acabei de ter contato com o seu blog.
    Tenho crises há mais ou menos 7 anos e pelo que uma psicóloga me disse na época, meu pânico é uma consequência de um estresse pós traumático depois de ser assaltada. Não sei bem como fui vivendo desde então. Além do pânico, sofro de muita ansiedade, também consequência deste assalto. Fiquei muito melhor depois de me mudar de São Paulo. Fui morar em Santa Catarina e depois disso, tentei vencer ainda mais o medo e me arrisquei a fazer um trabalho voluntário de um ano na Alemanha. Foi lá inclusive que conheci meu esposo, que é australiano. Sempre tentei lutar contra o meu medo de ter medo. E meu esposo tem sido um pilar forte de perseverança e meu porto seguro. Viemos morar em São Paulo, minha terra natal, e agora vejo tudo voltar e em dobro. Sofro por mim, por medo de andar na rua e sofro por ele, que tem que andar de ônibus, trens e metrô da cidade sem quase falar português. É uma luta diária, constante. Pensamos muito em nos mudar para a Austrália, onde a sensação de segurança é maior, mas resolvi fazer outra graduação e não queria deixar pela metade. É bom finalmente encontrar alguém que saiba retratar exatamente o que a gente passa. Das pessoas que convivem comigo, somente o meu esposo tem ciência dos meus medos, e é por isso que sofro ainda mais, com medo de perdê-lo também. Eu continuo buscando ajuda, embora seja cada vez mais difícil, não posso desistir, por mim e por ele.

    • Thayse Lopes disse:

      Oi, Hellen! Obrigada por vir me contar sua história, sinto muito por vc estar enfrentando isso de novo. Como está seu tratamento? O que tem feito para amenizar os sintomas? Se que em SP tudo toma uma proporção gigante mas eu acredito muito que vc pode vencer isso. Se precisar conversar, pode entrar em contato que eu posso ir te encontrar, também moro em SP. Posso te indicar médicos com quem faço acompanhamento. Um bjo grande e fique bem!

  3. Daniele disse:

    Boa noite…achei sei blog e gostei muito..
    Tenho um filho com 13 anos que sofre muito com síndrome de pânico, já fazem 10 meses que ele tem essas crises de pânico …não quer nem pensar em sair de casa …só sai para ir ao psiquiatra uma vez ao mês e agora graças a Deus e ao medicamento que acho que está fazendo efeito tenho conseguido levar ele ao psicólogo uma vez na semana….sofro demais por ver ele assim…com medo de sair e passar mal….mais tenho que ser forte pois ele é minha vida…abraços!

    • Thayse Lopes disse:

      Dani, sinto muito por seu filho, tão jovem, estar passando por isso. Se para nós, adultos, é terrível, imagino que para ele é ainda mais complicado. E acredito que vc como mãe deve sofrer igual porque quem acompanha os pacientes sofre também. Seu filho tem amigos? Se tiver, converse com o amiguinho e tente começar a fazer atividades para eles em casa, assim evita dele se sentir isolado. Seja com amigo, com primos. Inicialmente, até os remédios começarem a fazer efeito, a gente não sai de casa mesmo. Mas explique a ele que vai passar, que é dia após dia, que ele precisa ter paciência com ele. Mostre o blog aqui para ele, uma leitura ajuda. Veja o que ele gosta de fazer, incentive isso pq ele precisa tirar o foco dos sintomas um pouco, vai ajudá-lo. Outra coisa também é combinar pequenas coisas para ele ir perdendo o medo. Na minha época, eu não saía nem na porta da minha casa e comecei por ir até a porta, depois fui até a portaria do meu prédio, depois até a esquina. Fazia tudo acompanhada mas tentava. Demorei uns 5 meses para sair sozinha de casa mesmo. Era sempre acompanhada. Se ele quiser, pode conversar comigo, eu tô à disposição. Um bjo grande e espero que tudo fique bem!

  4. Jéssica Hemming disse:

    Olá, tenho 28 anos e depressão e síndrome do pânico a 1 mês e meio. Estou em tratamento com remédios e terapia. Quando li seu texto, tive a sensação que eu havia escrito ele, de como meus sintomas são parecidos com o seu. É uma luta constante e como eu sempre digo: ‘um dia de cada vez’.

  5. Eliane disse:

    Gostei muito da publicação, eu tive a impressão de ter escrito este texto . No ano2000 ate 2010 eu passei por um período muito difícil, onde eu adquiri medo de tudo e de todos. Embora eu ter uma família maravilhosa, eu sentia como se estivesse só. Eu tinha sintomas de náuseas, tontura,falta de ar e pânico onde eu tinha que tomar vários remédio para acalmar. Chegou uma época que eu não conseguia andar na rua ,e meu quarto era suficiente para mim, tinha filhos pequeno eles precisava de mim. Eu não sabia por onde me ajudar, parecia que estava no meu fim, que jamais eu seria aquela pessoa alegre cheias de sonho que eu era. Eu vivia tomando calmante na veia e aquilo para mim era o fim, eu praticamente estava desistindo de viver. Tinha cada crise, se eu estivesse só em algum lugar eu entrava em desespero e começava a gritar perdendo controle, não conseguia mais ir supermercado, lojas nem mesmo pegar ônibus. eu resolvi lutar contra este mal e graças a Deus estou muito bem hoje, quando percebo que vou ter recaída e dou um jeito de dar a volta por cima. Não dependo de remédios mais . (confesso que andei por muito tempo com antidepressivo na bolsa e quando eu percebia que não estava bem eu somente olhava pra ele ,respirava fundo e esperava melhorar ).
    Na época eu não tinha recursos para tratamento, as coisas era bem limitada para mim…
    Voltei a estudar tinha professores, amigos que ajudaram.

    Eu escrevi meu caso, porque eu tinha vários medos na época .
    E sofri muito com isto, infelizmente é uma luta constate dentro da gente ,por mais que parece impossível qualquer uma de vocês pode vencer este mal.
    Agradeço a pessoa deste blogue, porque são pessoas como ela quem nos ajuda a superar, somente quem passa ou passou por este mal que verdadeiramente nos entende.
    Eu procurei muitas ajudas dicas ,também mudei alimentação etc…
    Obs: tomei meus remédio até o meu médico dar alta.

  6. Jéssica Hemming disse:

    Olá, os 15 primeiros dias foram difíceis: muito sono e falta de apetite. Com o passar dos dias o organismo foi se acostumando. Perdi quase 4kg, e para quem pesava 55 kg acaba aparecendo e chamando a atenção das pessoas muito fácil.
    Hoje tomo dosagens maiores do anti depressivo, devido ter adquirido a síndrome do pânico.
    Como eu disse: está sendo um dia de cada vez.
    Hoje tive uma crise de pânico, precisei tomar meu calmante para dormir e neste momento estou acordada desde as 05 da manhã, sem sono algum. Resumindo, são dias bons e dias ruins.
    Tentando lutar contra essa doença!

  7. Leilanne disse:

    Já faz alguns anos que tenho crises de pânico e ansiedade! E tb vivenciei uma crise terrível na qual fui parar na emergência de um hospital de cadeira de rodas, pois não conseguia sentir minhas pernas e nem meus braços! Hoje faço tratamento medicamentoso e psicoterapia! Mas, preciso lhe dizer que me encontrei em suas palavras e me senti tranquila em saber que posso superar os meus medos!

  8. Jéssica Hemming disse:

    Boa noite,
    É muito ler os depoimentos das pessoas que também passam ou passaram por isso.
    Me faz ver que não estou sozinha e que essa doença pode acontecer com qualquer um.
    Um dia de cada vez!

  9. Adriana Carvalho disse:

    Boa noite!
    Faço tratamento há dois anos e estou bem melhor. Mas quando começou a melhora, descobri a depressão. Numa você tem medo de morrer, na outra você quer morrer… Já reduzi a dosagem pro pânico e aumentei pra depressão. Tem dias que dá vontade de desistir, mas me vem um mínimo de consciência que não me deixa. Melhoras pra todos nós! 🙂


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