Meus diagnósticos, meu drama diário

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Às vezes penso que já nasci depressiva…

Começo assim meu relato por sempre sentir essa dor, escuridão, vazio.

Eu, pequenina, não sabia o que havia de errado e me acostumei com tais sentimentos, tornando-me a depressão e não mais a Kárita.

Sofri bullying, cyberbullying, agressões psicológicas, tentei suicídio, fiquei internada em uma clínica psiquiátrica duas vezes e durante um bom tempo frequentei o hospital dessa mesma clínica.

Perdi a esperança, o mundo no qual eu vivia não tinha mais sentido algum, nesse meio tempo engravidei, descobri ser bipolar, mas antes disso houveram outros diagnósticos: Borderline, Histriônica e a Síndrome do pânico.

O que fazer com tantos diagnósticos e nenhuma solução? Quase enlouqueci tentando achar uma resposta!

Nessa época eu me cortava constantemente, era uma forma de punição e ao mesmo tempo uma tentativa de me libertar dessas dores internas que eu não suportava mais.

Doenças mentais ainda são tabus, lutamos muito e é uma batalha vencida todo dia, ao acordar, ao levantar da cama…

Quase ninguém me entendia, poucos amigos ficaram, já que sumi de tudo por conta do pânico. Além disso, meus relacionamentos eram por vezes perigosos e muito danosos.

Com muita luta estou cuidando da minha filha da melhor forma possível (e que consigo), ela emana forças para mim, mas essa tarefa não é um mar de rosas, tem dias que quero sair correndo, porque pense você que ser mãe bipolar é algo totalmente desgastante já que não temos a mesma disposição que uma mãe sem o transtorno tem, mas minha filha é um amor e não vivo sem essa força que se chama Sofia.

A carga que levo é muito grande, mas não mais solitária depois que conheci meu marido, o Cássio, que me ajuda e me ama do jeito que sou.

É uma entrega mútua, muito trabalho, muito amor e muita sensibilidade para cuidarmos da nossa pequena família.

Hoje ainda venho travando batalhas muito duras, mas venho me conhecendo e descobrindo minha força cada dia mais, é difícil no começo, ainda há recaídas mas estou caminhando, lentamente, mas estou.

Há um ano e meio mais ou menos não me corto, tenho crises das fases da bipolaridade e do pânico mas estou aprendendo a achar os gatilhos, a esperança vem crescendo dentro de mim e sei que conseguirei conviver com a bipolaridade e que o pânico irá embora.


Publicado em: 6 de junho de 2016

1 Comentário


  1. wiliam flor da silva disse:

    Meu amor,
    continuo aqui, talvez, escondido pelos monstros criados, mas estou aqui!

    Te amo, te amo e sempre te amarei.
    Papai estará no lugar que procurares, no momento que de mim precisares, pelo tempo que de mim quiseres.
    Com Amor.

    wiliam.


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