Setembro Amarelo: Eu queria ter nascido em outro corpo

tive síndrome do pânico

Nos dias mais doentios, queria não existir ou então ter nascido em outro corpo. Eu tenho vários motivos para existir, mas nenhum deles me parece bom o suficiente. Os motivos que me são apresentados parecem não preencher quando o assunto é continuar vivendo. Mas eu tô viva e quero viver, mas não é todo dia que quero isso. Eu não sei até onde isso é depressão ou até onde isso sou eu gritando para ter alguma liberdade psíquica.

Ouço e leio sempre pessoas afirmando que querem desistir de continuar, que querem desistir da vida ou que querem se isolar em algum lugar sem civilização. Isso é tão familiar, eu me sinto assim várias vezes ao dia. Não é todo dia, mas os mais críticos me fazem ter sentimentos piores que esses.

No meio disso tudo, eu desejo ser outra pessoa. Não é opcional estar doente, não é opcional se sentir lixo em muitas horas do dia. É opcional, por muitas vezes, como eu me apresento às pessoas mesmo quando estou me sentindo assim. Há dias em que eu me arrumo, me sinto bonita – porque essa questão da autoestima parece ter melhorado em mim – e mesmo estando assim, bem bonita, me sinto em pedaços por dentro. Você já se sentiu assim? E tem emprego, tem salário, tem um cama para dormir e você pode me dizer “tá reclamando de quê?” e eu só posso responder que não sei. Eu não sei o motivo de me sentir assim. Às vezes até sei, mas não sei assimilar a minha realidade. É tudo tão confuso.

Você pode fazer terapia, tomar seus remédios regularmente e tentar fazer coisas legais, as crises de pânico quase são inexistentes e você podia estar comemorando, mas a tristeza e a dor da alma permanecem. E acho que pessoas assim não conseguem manter muitas pessoas por perto, eu mesma não consigo.

Eu pensei ter muitos amigos, mas na verdade eu tenho muitos conhecidos. É, quem gostaria de estar perto de pessoas assim, instáveis psicologicamente? Penso que algumas pessoas, não todas. Há os amigos para algumas ocasiões e outros para outras que não seja lidar com um depressivo. Você já passou por isso? Quantos amigos seus permanecem após seu diagnóstico? E quantos permanecem quando você está em crise? Para a maioria das pessoas, é difícil lidar com isso e não podemos culpá-los. Talvez nós, que somos doentes, se fôssemos sadios e sem depressão, também não saberíamos lidar com um paciente com o nosso quadro mental. Não podemos culpá-los, cada um reage de uma forma. Mas há cada reação negativa, parece aumentar o vazio.

Eu nunca quis me matar, mas eu já quis não existir ou talvez ter nascido em outro corpo que não fosse doente como o meu. Mas eu quero viver, quero mesmo viver.

Quando alguém lhe falar sobre ansiedade
Depressão, pânico, jamais menospreze
Não é por que você não vê uma crise
Que ela não existe
De ouvidos, se faça presente
Uma palavra pode definir
Se a próxima mensagem vai ser um bilhete
De bom dia ou uma carta de suicídio
E isso não é uma poesia” (Marcello Gugu – New Orleans)


Publicado em: 12 de setembro de 2016

1 Comentário


  1. Pedro disse:

    Eu tenho a mesma coisa que você., eu queria ter uma vida também, queria ser uma pessoa normal, ja tentei me matar, mais percebi que isso não é uma boa opção ., comecei a ter esse síndrome do pânico aos 11 anos, e hoje tenho 16, vejo pessoas da minha idade vivendo e eu com essa droga de medo que não consegue fazer nada, ja parei de acreditar em Deus, eu sei que é errado, mais eu cansei de pedir para ele me dar uma vida., mais agora não sei oque fazer…


Deixe o seu comentário!