1 ano sem pânico

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Foto: Bruno Malkaviano

Eu não sei a data exata, mas lembro que minha última crise de pânico foi em outubro de 2015. Eu estava em Brasília visitando meus amigos e, dentro do ônibus, começou todo o desespero. Na ocasião, eu estava com a minha mãe. Pela primeira vez na vida, ela não disse que eu estava endemoniada, mas tentou me fazer respirar e tentou me acalmar. Lembro que o ar começou a faltar e era até natural já que eu estava dentro de um ônibus lotado, lembro também dos batimentos coração acelerar e as pernas perderem as forças, os tremores e as mãos suadas também me deixaram apavorada. Era mais uma crise que estava acontecendo e, pela primeira vez, consegui chorar.

Dessa vez, não perdi os sentidos. Lembro da minha mãe tentando me animar e dizendo que ía passar. Eu estava com uma garrafa de água com gás gelada e lembro que bebi (na tentativa de passar o enjôo) e coloquei a garrafa gelada na minha nuca. Foi acalmando, foi acalmando e parei de chorar. Tive vergonha das pessoas me olhando no ônibus. Me senti louca.

Isso faz 1 ano e eu, de lá pra cá, só tive melhoras. É claro que é uma doença que vou ter que lidar, pode ser que volte, mas estou cuidando para isso não acontecer. Não tomo remédios, mas a terapia é semanal. Algumas vezes ainda tenho receio em fazer certas coisas, mas estou fazendo a maioria das que tenho vontade. A depressão ainda me acompanha, mas estou lutando também. Eu costumo dizer que me venço todo dia.

Nessa ânsia por me vencer, costumo fazer algumas coisas para evitar recaídas. Sempre, uma vez ao mês, costumo ir comer algo que eu estou desejando a tempos, mas é caro. Escolho boas comidas, alguma festa que eu tenha muita vontade de ir e nunca fui, compro alguma roupa que eu quero muito, descubro uma banda nova para ouvir boa música, durmo bem cedo para aproveitar o dia seguinte, tenho me permitido conhecer pessoas novas e acima de tudo, tenho desejado estar bem. Parece que nosso querer tem poder na hora de amenizar os sintomas.

Há dias em que penso que não vivo e sim vegeto, mas olho pra trás e vejo o quanto já andei até aqui e que não faz sentido desistir agora. A síndrome do pânico e a depressão são meus vilões, são os monstros que querem me amedrontar todos os dias, mas eu não sou só isso, eu não sou só problemas mentais, eu tenho mais coisas boas do que ruins. Esse discurso positivo não funciona todos os dias, eu confesso. Mas eu tento. Porque eu quero viver e viver bem.

Faz 1 ano que não tenho crise de pânico, mas a depressão – apesar de controlada – ainda assombra e vira e mexe dá o ar da graça de forma cruel. Porém, ainda estou por aqui e batalhando contra esses males.

Se você estar tendo dias turbulentos, se acalme. Tenha esperança no tratamento que você está seguindo, é possível ficar bem e viver bem.

A todos, obrigada!


Publicado em: 14 de outubro de 2016

2 Comentários


  1. Kathlyn Pereira disse:

    Tenho muito orgulho de você, lindona <3

  2. marcus vinicius disse:

    Oi, gostaria de saber com conseguiu controlar suas crises, faço tratamento a algum tempo mas procuro a cura, sempre tenho pensamentos ruins e recaídas. Quero juntar idéias para chegar a cura.


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