Primeira viagem sozinha

Para o primeiro post do ano, vou contar como foi e como está sendo minha primeira viagem sozinha, após as crises. Aquele misto de ansiedade, medo, mãos tremendo e suando, náuseas e diarreia. Foi mais ou menos assim que meu corpo reagiu alguns dias antes da viagem, na hora de ir ao aeroporto e na hora de embarcar.

Durante toda a semana que antecedeu a viagem, fiquei tensa. Afinal, têm quase dois anos que não viajo sozinha. Após as crises, nunca mais tive segurança para ir a algum lugar que eu não conhecesse, ou até mesmo os que eu já conheço, o trajeto ainda me paralisava.  O máximo que fui sozinha (somente durante o vôo) foi para minha cidade, mas só fiz isso pela segurança de ter meus amigos lá, caso acontecesse algo. Fora isso, nada de viagens só e olha que isso sempre foi algo frequente antes do pânico.

Outra coisa que ainda não venci foi viajar sozinha de ônibus, como eu falei anteriormente, na minha cabeça, ainda acho que o ônibus não chegará a tempo ao hospital – caso eu passe mal – e eu posso morrer no trajeto. É algo meio louco, mas acho que aos poucos vou vencendo esses medos. Por mais que eu já faça várias coisas só, ainda não tenho a vida de antes e confesso que não me interessa ter, mas meu objetivo é ter uma vida com maior qualidade, totalmente diferente do que era antes. Sinto que se for pra ter a vida de antes, as crises voltarão. Então, continuo tentando mudar hábitos, tentando comer melhor, dormir mais e melhorar. Isso é uma tarefa diária. Às vezes ainda me pego trabalhando demais, sendo intensa demais, mas estou sempre tentando desacelerar porque meu corpo sempre sente quando exagero.

Mas voltando à viagem, pensei que não iria conseguir. No trajeto para o aeroporto, desejei por alguns momentos não ter tirado férias e “inventado” a minha viagem. Mãos suando, aquele nó na garganta, aquela vontade de só ficar deitada e o estômago nauseando, me faziam duvidar se eu merecia mesmo ter entrado em férias. Cheguei ao aeroporto, a ansiedade cessou um pouco, me distraí ouvindo música. Embarquei. Até a decolagem, aqueles minutos de espera até todos se acomodar, foi meio torturante. Voltei a nausear. O avião decolou, alguns momentos achei que iria vomitar, mas não aconteceu. Consegui dormir no vôo, a música no meu celular me distraiu. Eu desembarquei bem e querendo ou não, foi minha primeira grande vitória de 2017.

Agora, estou aqui em Aracaju curtindo férias. Não recorri aos remédios, nada disso. Consegui sozinha, dessa vez. Mas se precisar recorrer, farei isso. Afinal, ainda bem que têm os ansiolíticos, ainda bem que podemos ter auxílio deles.

Bjs!


Publicado em: 25 de janeiro de 2017

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