Viajei sozinha, mesmo com ansiedade

ansiedade cancun

Cancún, Quintana Roo

Como vocês sabem pelo instagram e pelo facebook, dia 10 eu viajei sozinha, mesmo com ansiedade, para Cancún. Foi minha primeira viagem longa, pra outro país e sozinha desde que tive as crises de pânico. Ao mesmo tempo que estava feliz pela viagem, eu estava nervosa de passar mal e não ter quem me socorrer. Não tenho medo de avião, mas tive muito medo de ter uma crise de pânico durante o vôo e não conseguir reagir, tive medo de apagar e ninguém conseguir me ajudar. Os pensamentos iam no céu e inferno em questão de minutos.

Chegou o dia da viagem e estava tensa. Coloquei todos os meus remédios de emergência na bolsa, de forma que ficasse fácil achar. Coloquei sacolinha na bolsa para o caso de vomitar, música de meditação no celular. Enfim, me preparei para o pior. Cheguei ao aeroporto e ainda com dor de barriga, mãos suando, a ansiedade estava muita, mas consegui embarcar.

No avião, uma certa ânsia de vômito, um pouco de tontura e a sensação de que algo ruim poderia acontecer estavam muito evidentes na minha mente. É horrível se sentir assim, parece que você não se sente segura para nada e que a qualquer momento você vai apagar e só acordar num hospital. Na verdade, eu queria apagar e acordar somente em Cancún, para que eu não passasse por todo processo da ansiedade. Fiquei pensando também se toda vez que eu precisasse viajar seria esse tormento de ansiedade.

Enfim, embarquei e a partir daí, consegui relaxar, fui criando expectativa para conhecer o lugar, conhecer gente nova, mudei o foco do nervosismo. Eu realmente não sei como isso aconteceu, mas os pensamentos de que poderia dar tudo errado, sumiram. Mesmo a escala que fiz, não me deixou nervosa. Não sou fluente em espanhol e até nisso me virei bem. Achei que paralisaria no idioma por causa da ansiedade e não foi isso que aconteceu.

sindrome do panico cancun

Isla Mujeres

Quando cheguei em Cancún, respirei. Que sensação incrível! Era como se eu tivesse vida de novo. Eu já viajo há algum tempo, mas era a primeira vez para outro país após as crises, era a primeira vez completamente sozinha e pra uma viagem tão longa. Passou um filme gigante pela cabeça ao pensar que em 2015 eu não saía de casa se não fosse acompanhada e mesmo assim tinha crise, em pensar que passei 30 dias dependendo das pessoas até pra levarem comida pra mim porque eu simplesmente não conseguia sair de casa por causa das crises, ao pensar que eu estava me sentindo feliz naquele momento mesmo que há 1 mês eu estava em completa crise depressiva.

A sensação era e é de vitória comigo mesma. Tive vontade de chorar várias vezes, mas de felicidade. Sei lá, estou com a sensação de que vale a pena viver e mesmo quando a dor da alma vier, preciso saber que viver é melhor que morrer.

E vocês, conseguem viajar sozinhos?


Publicado em: 24 de outubro de 2017

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